Acordo trabalhista extrajudicial homologado: como funciona

Como funciona o processo de homologação de acordo extrajudicial na Justiça do Trabalho: requisitos, advogados, prazos, efeitos e cuidados.

Equipe Legal Dept. · Chambarelli Advogados 3 min de leitura

Em resumo

  • Desde a Reforma Trabalhista, empresa e empregado podem levar um acordo extrajudicial à homologação da Justiça do Trabalho (arts. 855-B a 855-E da CLT).
  • O pedido é feito por petição conjunta, e cada parte deve ter advogado próprio.
  • O juiz analisa o acordo, pode designar audiência e homologa ou não — não é obrigado a homologar.
  • O acordo homologado dá segurança jurídica à quitação, nos limites do que foi acordado e homologado.

Antes de 2017, encerrar uma relação de trabalho com segurança exigia, muitas vezes, que o empregado ajuizasse uma ação para, então, fazer um acordo no processo. A Reforma Trabalhista criou um caminho mais direto: o processo de jurisdição voluntária para homologação de acordo extrajudicial.

Como funciona?

A CLT regula o procedimento nos arts. 855-B a 855-E:

  1. Petição conjunta: empresa e empregado apresentam juntos o acordo.
  2. Advogados distintos: as partes não podem ser representadas pelo mesmo advogado; o empregado pode ser assistido pelo advogado do sindicato.
  3. Análise judicial: o juiz analisa o acordo em até 15 dias, podendo designar audiência.
  4. Decisão: o juiz homologa ou rejeita o acordo.
  5. Prescrição: o pedido suspende o prazo prescricional quanto aos direitos nele especificados, voltando a correr se a homologação for negada.

O procedimento não afasta o prazo para pagamento das verbas rescisórias nem a multa por atraso previstos no art. 477 da CLT.

Quando faz sentido?

  • Desligamentos de executivos ou empregados com histórico de pontos controversos.
  • Situações em que há dúvida razoável sobre direitos (horas extras, comissões, equiparação).
  • Encerramento de relações longas, com interesse mútuo em evitar litígio.

Quais cuidados tomar?

Cuidado Por quê
Discriminar as parcelas e valores O juiz avalia a razoabilidade e os efeitos fiscais e previdenciários dependem da natureza das parcelas
Evitar acordos desequilibrados Acordos que parecem renúncia de direitos tendem a ser rejeitados
Pagar as verbas rescisórias no prazo legal O acordo não substitui o pagamento das verbas incontroversas no prazo
Definir com clareza o alcance da quitação A extensão da quitação é ponto sensível e depende do que for homologado
Garantir independência dos advogados É requisito legal e condição de validade

E se o juiz não homologar?

A empresa e o empregado podem ajustar o acordo e apresentar novo pedido, ou seguir sem homologação, sabendo que eventual ação trabalhista continuará possível.

O Legal Dept., departamento jurídico as a service do Chambarelli Advogados, une as frentes Trabalhista & Rotinas e Disputas Extrajudiciais e Negociação para conduzir acordos: avaliação de riscos, negociação, redação e acompanhamento da homologação. A empresa conta com um time jurídico dedicado, com fluxo, tecnologia e previsibilidade, operando como extensão do RH e da diretoria.

O foco é resolver antes do processo, com o princípio negócios primeiro, jurídico depois e custo mensal previsível. Saiba mais em www.chambarelli.com.br.

Perguntas frequentes

O empregado pode usar o advogado da empresa?

Não. A lei exige advogados distintos para cada parte.

O acordo pode quitar todo o contrato de trabalho?

O alcance da quitação depende dos termos do acordo e da homologação. É um ponto que deve ser redigido com cuidado.

Quanto tempo leva a homologação?

A lei prevê análise em até 15 dias, mas o tempo total varia conforme a vara do trabalho e a eventual designação de audiência.

Conteúdo informativo, atualizado em 20 de outubro de 2026. Não substitui a análise jurídica do caso concreto.

Vamos conversar

Transforme o jurídico em uma ferramenta de crescimento.

Agende um diagnóstico jurídico e descubra como estruturar o departamento jurídico da sua empresa de forma eficiente e previsível.