Planejamento tributário para empresas: passo a passo em 2026

Como fazer planejamento tributário lícito em 2026: diagnóstico, regime, estrutura, reforma tributária, dividendos e os limites entre elisão e evasão.

Equipe Legal Dept. · Chambarelli Advogados 4 min de leitura

Em resumo

  • Planejamento tributário é a organização lícita das operações para pagar o tributo devido — e não mais que isso —, com base em escolhas permitidas pela lei.
  • Em 2026, ele precisa considerar três mudanças simultâneas: a reforma do consumo (IBS e CBS), a tributação de dividendos (Lei 15.270/2025) e o aumento da presunção no Lucro Presumido (LC 224/2025).
  • O caminho tem seis etapas: diagnóstico, regime, estrutura, operações, reforma e monitoramento.
  • O limite é o propósito negocial: estruturas artificiais, criadas só para reduzir tributo, podem ser desconsideradas.

Para a maioria das empresas, o tributo é um dos maiores custos — e um dos menos gerenciados. O planejamento tributário transforma esse custo em variável de decisão: qual regime escolher, como estruturar o grupo, como precificar, como distribuir resultados. Em 2026, com o sistema tributário em transição, planejar deixou de ser opcional.

O que é — e o que não é — planejamento tributário?

Planejamento tributário (ou elisão fiscal) é a escolha, antes do fato gerador, entre caminhos permitidos pela lei. Evasão é ocultar, simular ou fraudar para não pagar o que é devido — e pode configurar crime contra a ordem tributária, nos termos da Lei 8.137/1990.

Entre os dois, há uma zona de risco: estruturas sem propósito negocial, que só existem para reduzir tributos. O Código Tributário Nacional permite à autoridade desconsiderar atos praticados com a finalidade de dissimular o fato gerador (art. 116, parágrafo único), e a fiscalização tem questionado operações artificiais.

Qual é o passo a passo?

1. Diagnóstico. Mapear receitas, margens, folha, atividades (CNAEs), estrutura societária, benefícios fiscais e contencioso. Sem números, não há planejamento.

2. Regime de tributação. Simular Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real com os números da empresa — e projetar o efeito da reforma. Veja enquadramento fiscal.

3. Estrutura societária. Avaliar se a separação de atividades, holdings ou reorganizações fazem sentido, sempre com propósito negocial — veja holdings.

4. Operações. Revisar contratos, cadeia de fornecedores, logística, precificação e aproveitamento de créditos.

5. Reforma tributária. Simular IBS e CBS, revisar contratos e preparar sistemas — veja checklist jurídico da reforma.

6. Remuneração dos sócios. Equilibrar pró-labore, distribuição de lucros e juros sobre capital próprio diante da Lei 15.270/2025 — veja o que o sócio precisa decidir.

7. Monitoramento. Revisar o planejamento a cada ano e a cada mudança relevante de lei ou de negócio.

Quais mudanças pesam em 2026?

Mudança Efeito
Reforma do consumo (EC 132/2023, LC 214/2025) Teste de CBS e IBS em 2026; CBS plena e fim de PIS/Cofins em 2027
Lei 15.270/2025 Retenção de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil/mês por fonte e imposto mínimo para altas rendas
LC 224/2025 Presunção do Lucro Presumido aumentada em 10% sobre a receita que excede R$ 5 milhões; IR sobre JCP de 17,5%

Como documentar?

Cada decisão de planejamento deve ter memória de cálculo, fundamentação e evidência do propósito negocial: atas, pareceres, estudos econômicos. A documentação é o que sustenta a estrutura em uma fiscalização.

A frente Tributário do Legal Dept. — o departamento jurídico as a service do Chambarelli Advogados, escritório de Direito Empresarial e Tributário — inclui planejamento e consultoria tributária, análise de regime e enquadramento fiscal e apoio em fiscalizações e autuações. A empresa ganha um time jurídico dedicado, com fluxo, tecnologia e previsibilidade, operando como extensão da própria empresa.

O planejamento é integrado às frentes de contratos e societário, com o princípio negócios primeiro, jurídico depois: a estrutura tributária acompanha a estratégia, e não o contrário. Projetos estruturais contam com a experiência do escritório em tributário e sucessão e patrimônio. Saiba mais em www.chambarelli.com.br.

Perguntas frequentes

Planejamento tributário é só para grandes empresas?

Não. Pequenas empresas também se beneficiam, especialmente na escolha do regime e do enquadramento correto, como o Fator R no Simples Nacional.

Com que frequência revisar o planejamento?

Pelo menos uma vez por ano, antes da opção pelo regime, e sempre que houver mudança relevante de lei ou de operação.

Planejamento tributário pode gerar autuação?

Estruturas com propósito negocial, bem documentadas e baseadas na lei reduzem muito esse risco. Estruturas artificiais tendem a ser questionadas.

Conteúdo informativo, atualizado em 20 de outubro de 2026. Não substitui a análise jurídica do caso concreto.

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